SEM PALAVRAS

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Meu silêncio grita. Grita silencioso a explicar palavras sem explicações. Fala por mim numa verborragia infinda que não se limita a breves impressões, que vai além do que é possível dizer com meras palavras que não sei usar, ou que saem sem sentido numa profusão de asneiras incompreensíveis.

Meu silêncio esbraveja. E quem não o reconhece entre as palavras subtendidas no silêncio velado ignoram uma porção de mim. Talvez eu por vezes o tenha ignorado em seus mais agudos gritos por sentimentos indefinidos, por sentimentos que eu teimo em não reconhecer. Ignorado-o em meus acessos de palavras desnecessárias.

Silêncio. Uma pausa incômoda permeia o ambiente. Dois pontos no ar e nada mais depois. Reticências. O barulhinho da mosca interrompe o manifesto. Atrapalha e grita ao seu modo. Palavras ocas. Asas debatendo-se contra sua existência silenciosa.

E?
Caras de irritação a olhar meu silêncio. Não conseguem chegar ao fim. Desistem diante da mesmice, da falta de, do excesso de. Não tentam. E o silêncio mantém-se a gritar por mim.
Texto de Inês Guimarães, vivendo dias ocos...

9 comentários:

Anônimo disse...

velho, que texto interessante...
sim, interessante é sempre uma palavra estratégica para definir as realizações humanas que me tocam...
acho que ontem eu rabisquei algumas palavras desconexas, sobre a paolavra. e, agora, eis que leio uma prosa poética sobre o silêncio.
vou ver se um dia me animo a colaborar com um texto bem oco(se vcs aceitarem, é claro).
tenho o último parágrafo de um devaneio, que serve de análise por parte da linha editorial do blog:
"tudo cai na palavra, e morre a partir dela. a palavra suicida, por exemplo, já nasce morta. e meus dedos fazem tudo ressurgir. também o sol se levanta em dias nublados para morrer e nascer em 24h e alguns minutos. tempo suficiente para ser qualquer coisa, fazer qulaquer coisa, inclusive escrever a morte em reticências...".

lobo-branco disse...

isso é coisa da casa..

leonidas oco disse...

Isso aí é ki é ser ocoooooooo, gritar até no silêncio, d+++

leonidas oco de novo e quantos de novos for preciso disse...

falar asneiras é bom mesmo, e as moscam sempre incomodam (mesmo por bem ou por mal)

Inês disse...

Seu texto será bem vindo aqui!
A palavra está bem além de um simples recurso linguístico. e a falta dela pode indicar muito mais do que possa aparentar inicialmente. A falta de palavras eh um prenúncio para tantas que certamente virão a suscitar, de certo modo, a vida e/ou a morte.
Apropriando-me de seu conceito de interessante, aplico-o ao seu parágrafo.

Nostalg1c disse...

"A humanidade teve de se submeter a terríveis provações até que se formasse o eu, o caráter idêntico, determinado e viril do homem, e toda infância ainda é de certa forma a repetição disso". (Max Horkheimer & Theodor W. Adorno, Dialética do esclarecimento, 1947)

O silêncio aterroriza a nobreza e o incômodo deles para com o "lixo humano" fica sob a competência da polícia, das seitas religiosas de salvação, da máfia partidária e dos sopões para pobres.

Anônimo disse...

fiquei lisonjeado com as palavras de incentivo.

pretendo finalizar o texto assim que encontrar palavras para descrever a dor de não ter palavras...

obs: leonidas, eu nunca te disse que te amava, justamente pela distância que nos separa: a distância...

beijos e abraços...

SBTVD disse...

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Anônimo disse...

Hummmmm!!!! Cocotinha arrasando corações... "justamente pela distância que nos separa: a distância..." Que coisa platônica. kkkkkkkkkkk! Eita silêncio lindo, extremamente oco.