segunda-feira, 12 de maio de 2008
O dia das mães já é ontem. Mas o ontem deixou seqüelas. Eu que sempre reclamei atenção agora não consigo ouvir. E eu com isso?, é só o que consigo pensar. Perdi o interesse. Não vejo sentido nas coisas que falam. Será que são as coisas que estão sem sentido? Alguém ri de algo idiota. Iguala-se e não me vê. É ele o idiota? Irrita-me tanta irritação interna. Precisa sair, vulcanizar, extrapolar as fronteiras de mim. Eu não caibo mais em mim. Acho que essa frase não é minha. Mas o que importa? É exatamente isso que foi dito agora. Nada disso tem importância. Tudo vai seguir tortamente o fluxo da vida e acabar de forma brusca em algum quarto podre, escuro e solitário. Danem-se as coisas, danem-se os pensamentos elevados. Eu odeio gente arrogante, gente prepotente, gente áspera. São ressequidos como o solo que levou meu espelho. Tolos, são todos tolos e estúpidos, incapazes de perceber. Por que não me percebe? Não sei o que Jim Morrison pensava quando embriagado cantava “people are strange, when you´re stranger faces look ugly when you´re alone”. Mas a música me reflete, simboliza e incorpora o meu sentir. Pseudo-sentires. Fracos e impessoais. Não entendeu que nada disso me importa mais? Não consegue ver que meus olhos faíscam perante a imutabilidade desse querer saber, ter, dizer que quer e que sabe e que tem?
Sinto-me mais leve. Ou menos pesada. Ou menos cheia de tormento. Ou menos. Ou mais. Ela me irrita. Tudo que o envolve que não esteja ligado a mim me irrita. Contradições. Tépida, cálida. Gosto de palavras proparoxítonas. Elas sempre parecem dizer mais do que realmente dizem. Mãos. Ultimamente tenho atentado-me a elas. Vontade de pegar. De fazer carinho. Simples carinhos. Simples mãos. Simples simples. Tudo meu parece simples. Acho que porque não existe de fato. Impensamentos. Isso existe? O ato de não-pensar engrandece porque nos torna capazes de inviver quando se quer. Ser capaz de não se ser, na hora em que não vale a pena se ser. Precisava disso. De uma tarde dedicada às minhas imprecisões porque elas têm sido muitas. Muitas e cada vez mais imprecisas.


