Identidade...

terça-feira, 11 de março de 2008


"Confiante na ilusória promessa de sua vida, o americano não se preocupa com o seu presente, não vive plenamente a sua vida presente e esta se esvai sem ser propriamente vivida por ele.(...) No fim de sua vida, pensa Ortega, o homem americano se vê confrontado com a dolorosa experiência de que a vida tenha passado sem tê-la vivido, sem advertir sequer seu passo concreto. Não se trata, contudo, de simples tomada de consciência de uma sensação de fracasso, pois para assistirmos ao seu fracasso é necessário que a estejamos vivendo. Conclui Ortega que "o crioulo não vive a sua verdadeira vida, mas que ela tem passado sem que ele se dê conta, vivendo a outra, a vida prometida. Por isso, quando chega à velhice e olha para trás, não encontra a sua vida, porque não passou por ele, aquela que não viveu, e encontra somente um rastro dolorido e romântico de uma existência que não viveu. Encontra, pois, o vazio, o OCO de sua própria vida³".
Comentando a reflexão de Ortega y Gasset¹, assim analisa Raul Fornet-Betancourt²
¹ José ORTEGA Y GASSET. “La Pampa... promessas”. In: Obras Completas, citado por Raul FORNET-BETANCOURT, Problemas Atuais da filosofia na Hispano-america, São Leopoldo, Editora Unisinos, 1993.

² Raul Fornet-Betencourt. Problemas Atuais da filosofia na Hispano-america, São Leopoldo, Editora Unisinos, 1993.

³ Desdobrando as reflexões de Ortega, Betancourt afirmará em 1993 que tanto a verdade da América, como o modo de ser americano, consistem em sua própria mentira. A rigor, o ser e a verdade da América aparecem como problemas, porque não são o que aparentam ou o que pretendem ser. Seu ser é o não-ser e, sua verdade, a mentira. (...) O ser da América é o não ser de sua utopia, e sua verdade, a mentira de seu sentido inventado.

6 comentários:

Fran disse...

Essa caricatura do Lourenço está show e casou com o texto! Bacana. Legal a escolha.

Cr disse...

Infelizmente o latino ainda não encontrou o seu alto-valor. Permanece nas comparações... Mas vem mudando através, principalmente pela literatura.

Com sua heterogeneidade os latinos formam uma das mais concretas identidades em termos de povos modernos.

Cliping disse...

A Améria Latina está em processo de liberdade. Vamos vencer camaradas!!!!

Germano V. Xavier disse...

Muito doido esse texto...
Doido mesmo...

geysa disse...

O real não existe, tudo é insano.

Anônimo disse...

tá, e daí???