Carnaval OCO

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008


Avenida lotada. A diversão toma conta da cidade. É hora de esquecer as dívidas (e fazer mais), a prova da semana que vem, o filho que deixou em casa, ou que levou pra rua, mesmo sendo pequenininho, e gritar: Ohoh oh oh oh oh oh oh / Não vale mais chorar por ele / Ele jamais te amou...(jamais te amou)... Quatro dias de folia e três dias sem trabalho. Será uma ótima opção para quem está na cidade?
De fato o carnaval de Juazeiro atrai um grande folião. Este ano ganhou até alguns destaques, por sua violência e pela diversidade de músicas. Músicas ocas. Daquelas com letras pouco arrojadas, cantadas por muitos e coreografadas pela multidão. São crianças, jovens e idosos num só coro: Cadê os cachaceiros, como é que é? Tá tudo dormindo, tá lá no cabaré! Ah! É carnaval... Será que essa história de “experimenta, depois, quando você quiser, é só parar” faz sentido? Devemos nos deixar influenciar dessa forma?
As coisas acontecem de tal modo que, passado um tempo, agimos inconscientemente. Aí vamos consumindo, consumindo, consumindo... Até que chega a hora em que passamos a ser consumidos. E lá se vai o juízo e o senso crítico. Ficamos alienados. Depois de um tempo de consumo, as doses vão aumentando, as do início já não fazem mais efeito. Então, é preciso mais e mais porcaria.
Como diz Luis Fernando Veríssimo, “se você não reagir, vai acabar drogado: alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável e distante; vai perder as referências e definhar mentalmente”. A solução é um tratamento muito duro. “Doses cavalares de Rock, muita MPB, Progressivo e Blues. É possível que tenha que recorrer ao Jazz e até a Mozart e Bach como medida extrema”.


Patricia Telles

4 comentários:

Josemar Martins (Pinzoh) disse...

Saudo vocês pelo Blog. A idéia é genial. Vale como modelo de sarcasmo. Criativo! Sugiro apenas que não dexem o sarcasmo beirar o relativismo, a não ser que seja dos bons, do tipo "um copo vazio está cherio de ar". Nem tudo é oco; há conteúdos nesses ocos todos. Estão todos cheios, a questão é: cheios de quê?
Parabens a vocês!

Raphael Leal disse...

Parabéns a vocês pelo blog e a Patrícia pelo texto. Apear de curto, ele provoca e num tema interssante: a coisa oca, vazia que a nossa sociedade vive, seca, nesse caso do ponto de vista musical e divertimento, com insinuações sexuais nas letras, a bobagem que assola os meus ouvidos e a minha alma.Tomei cuidado para não ser contagiado, mas vez por outro eu me pegava querendo balançar o crpo ao ouvir o pagode ou o "hoho,ho,ho,ho hohoho". ue coisa chata, oca. Tenho ua receita e gostei da sua, com MPB, rocke blues. geralmente eu procuro escutar João Gilberto, assim cuido do meu ouvido e da minha alma. abraços

Inês disse...

Olá, gente!
Agradecemos pela visita e esperamos que se tornem assíduos! :)
A idéia é justamente essa: explorar os "ocos" que nos cercam das formas mais inusitadas possíveis! Afinal de contas, como Pinzoh ressaltou, nenhum oco eh vazio... e viva o oco!

Cecílio Ricardo disse...

Lembrei de uma certa discussão sobre discriminação musical (hehe). Parece ter aderido as medidas extremas. Dar audiência e justificar lixo só fortalece as porcarias. Tem que suprimir mesmo, assim como suprimem tudo aquilo que faz o ser humano evoluir.