A máfia do “Guaraná”

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008


“Vivemos esperando, dias melhores, dias de paz, dias a mais, dias que não deixaremos para trás!... Vivemos esperando, o dia em que seremos melhores, melhores no amor, melhores na dor, melhores em tudo!...”. Foi ao som de Josta Quest, viajando em uma tarde de sexta-feira, que eu e minha família fomos abordadas: “Parem! Passem tudo o que vocês têm, dinheiro e jóias. Bora, bora! Passem a grana, senão...”. Aí muitos pensam: foi um assalto! É, amigos ocos, foi uma tentativa de assalto! Só que as palavras não foram essas que citei logo acima.
Então, vamos lá. Dois policiais militares, um aceno com a mão e lá estávamos nós parados na estrada. Foram poucas as palavras, suficientes para nos deixar perplexos. “De onde estão vindo? Estão indo pra que cidade?” Crentes de que era apenas isso, já nos preparávamos pra seguir viagem, quando um dos policiais falou seriamente: “Me dê aí o do guaraná pra gente não perder muito tempo”! Aí me lembrei de quando fui para Salvador, de quando fui para o Recife. Não escapei em nenhuma dessas. Mas sempre me surpreendo... Sempre há algo de novo. Uns são mais contidos, outros mais descarados. Alguns até preferem acreditar que isso faz parte de seu “trabalho”, talvez pra se livrar da auto-condenação.
De quem é a culpa de tudo isso? Quem comete o crime? Será que é quem pede?! Ou quem paga?! O cidadão tem o dever de cumprir a lei e o policial de fazê-la cumprir. Mas a procura de facilidades, vinda da própria natureza humana, é que banca todo esse esquema de corrupção. É, somos nós cidadãos, com nossa descrença de dias melhores, que alimentamos esse tipo de crime. É uma conivência velada. Uma reciprocidade. “Me ajeite, que eu lhe ajeito”. É assim que funciona. Uns podem até dizer: “Ah, isso acontece por conta do péssimo salário que recebem”. Se fosse assim, todo assalariado seria ladrão! Na verdade, a corrupção é questão de ética social, que deveria ser prezada diante das mais diversas imposições sofridas.
Patricia Telles

3 comentários:

Kurumin disse...

"Dizem que ela existe
Prá ajudar!
Dizem que ela existe
Prá proteger!
Eu sei que ela pode
Te parar!
Eu sei que ela pode
Te prender!..."
(Tony Belloto)

A polícia foi fabricada para coerção e isso não mudará. São um bando de filho das putas empunhando uma arma e se achando donos do mundo.

Se fodam todos!

Cecílio Bastos disse...

Polícia nunca foi nem nunca será solução pra nada. É uma força hipócrita que só serve para impor o ideal de Estado. Nas academias ou "loucademias" formam matadores, alienam e constroem robôs da morte. É a justiça no solado da chinela da violência. Não podemos polícia, temos escolas de pistolagem, escolas de neonazistas. Quando você me contou essa história da sua viagem... Deixa pra lá! Pra falar a verdade prefiro apanhar do carinha que tá com fome, sem dinheiro pra comprar comida do que tomar na cara de um policial. Fico feliz que "Tropa de Elite" tá por aí ganhando prêmios mundo a fora, porém triste pela sociedade brasileira não enxergar a verdadeira mensagem do filme - a podridão que assola a justiça desse país. Com certeza deve bater na consciência do Padilha uma coisa negativa cada vez que vê uma criança brincando de "capitão Nascimento"...

É isso aí! Foda-se polícia FDP.

Fran disse...

O leitinho das crianças é sagrado...

Ah rebanho de filho das putas!!!!