Viva cidadão! Viva a lei brasileira!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008



Assim como no ano passado a justiça brasileira já tem os culpados do tráfico de drogas no país. Para ela todos são suspeitos. Todos que vivem em uma favela, um cortiço ou algo parecido. Sim, porque em bairro classe “A” só existem usuários. Vítimas, playboy inocente. Data vênia!
Data vênia quer dizer: “perdoe não concordar, ilustríssimo, meritíssimo”. É uma expressão delicada e respeitosa com que se pede permissão para discordar. E não ouse ser menos educado meu caro. Você corre o risco de, no mínimo, se enquadrar no artigo 331 do código penal. Desacato...
Data vênia com o mandado de busca coletivo! Um pedaço de papel que permite à polícia invadir qualquer casa, barraco ou construção, situados em local que passe por ação policial. Traduzindo significa pé na porta de barraco, solado de bota na cabeça de adolescente e corpo estendido no chão. Ser pobre agora é crime. Mens legis... O espírito da lei.
Ex adverso... Do lado contrário, a ONU diz que o narcotráfico mundial movimenta por ano cerca de um trilhão de dólares. Engraçado... A galera do morro deve esconder muito bem cada centavo. E o melhor, decide viver na miséria para “dar uma volta” na receita federal. “Dar uma volta” na gíria do sangue bom quer dizer enganar. Encontrei o significado dessa expressão na Folha Online. Legal, se não fosse a manchete: “Tráfico no Rio: Gírias, confira alguns termos usado no tráfico de drogas”. Ê Brasil!
Arbitraram os governantes que entre o morro e o asfalto está a justiça. Justiça vem a ser respeito à igualdade de todos os cidadãos. Cidadão, em resumo, é aquele que tem direito à escola, à saúde e à propriedade. Quem não se enquadra é vagabundo. Vagabundo é lixo humano descartável e nem Juvenal Antena está aturando mais.
Parabéns cidadãos! Cada um de vocês está ganhando dinheiro e vendo o povo se matar. Obrigado meu pai e obrigado minha mãe... Obrigado por não criarem mais um cidadão. Hoje tenho orgulho de ser marginal. Tenho orgulho de ser um marginal alado. E não sou como você, um cidadão envergonhado.
Cecílio Bastos (outro amigo do OCO)

20 comentários:

Deyse Melo disse...

Excelente artigo! Parabéns Cecílio. De tanta repetição, geração após geração, dos mesmos erros segregacionistas,o preconceito social já é quase congênito. Poucas integrantes do high society tratam serviçais como verdadeiros seres humanos. Poucos vêem as marcas de mãos humildes em tudo que consomem. Estão se transformando em verdadeiros teres humanos - geração cerca elétrica.

O Cidadão disse...

Todos deveria tomar responsabilidade pela sua vida e seu futuro e não acusar outras pessoas das causas de suas desgraças. Essa é a minha opinião, dar a cada um o que cada um merece, ao vagabundo nada, ao trabalho uma vida digna. Pessoas iguais perante a lei não significa resultados iguais. Essa retórica raivosa e binária (nós versus eles) não ajuda ninguém, e basta dar uma olhada nos livros de história para entender o por quê. Se algumas pessoas gostam ou preferem ignorar a história, que assim seja, pois somos uma sociedade livre, mas não necessariamente esse falar stalinista é o certo. E sobre as favelas, sim elas são feias e não deveriam existir. Estou mentindo? Por um acaso os terrenos onde elas se encontram foram adquiridos legalmente? Ao invés de haver um esforço "policamente correto" para se acabar com os adjetivos negativos associados a elas, deveria sim haver um esforço para se acabar com as próprias favelas pois elas não tem condições de abrigar seres humanos. Que tipo de civilização deixa seres humanos viver de tal forma repugnante? Chamar o feio de bonito e o errado de certo não muda o fato que favelas são uma abominação, essa favelização do Brasil só trás problemas as cidades (de segurança, de saúde, de meio ambiente, etc). O correto é as cidades sejam melhor planejadas.

Fábio Machado disse...

A mim causa indignação justamente essa burguesia tupiniquim. E não só os mais abastados e suas crias. Minha indignação se estende a todos que assumam esse comportamento. Se estende aqueles que desejam ver desaparecidas as feias favelas, mas com tudo que existe dentro dela. Aqueles que torcem o nariz, de forma decadentemente arrogante aos não caucasianos, que para esses são todos ladrões, incapazes e que só prestam para meros serviçais. Que levam mais em consideração a cor da pele, do que dignidade, caráter, competência e honestidade. Essa é a minha visão lógica sobre o problema. A minha real lógica nessa análise possivelmente “inaquedada, militante e raivosa”. Concluindo, e já me desculpando por comentários tão longos, a burguesia tupiniquim, hipócrita, medíocre e tacanha e de comportamento desprezível a que me referi é esta. Que não exclui indivíduos de nenhuma classe social. Por que, de todas elas, brotam este indivíduos. Que aparentam ser cidadãos exemplares, cumpridores de suas obrigações, mas que escondem o mais baixo comportamento que um ser humano pode Ter. Em contrapartida, dessas mesmas classes sociais emanam seres humanos de verdade. E para reconhece-los, só com a convivência.

Silas disse...

A sua crônica é realmente abrangente. Mostra as mazelas pelos quais nós os pobres e excluídos do país passam ao longo de suas vidas. Lamentávelmente, nos dias de hoje como foi antes durante toda a história desse país, os discriminadores não se acanham em discriminar. O fazem do auto de sua superioridade econômica/intelectual(?). Existe aqui um fato que é mais deprimente ainda. Provincianos que são, copiam a idéia de países ditos desenvolvidos de que existe uma raça e uma sub-raça. Que a esta última, o tratamento dado pode ser o mais baixo e vil possível, pois eles são menos que nada. Vejo e leio isto todos os dias. Algumas vezes este tratamento é colocado de forma sutil. Em outras, de forma tão explícita e chocantes que fica difícil acreditar que são seres humanos a produzir este comportamento. Os burgueses simplesmente não aceitam tal alegação. Se sentem ofendidos por serem criticados. Esse texto é um tapa na cara de muitos cidadãos!

Gabi disse...

A solução para o problema é tão complexa quanto é baixo o interesse de vê-lo resolvido. Só se pensa em favela quando ela desce para o asfalto. Ou quando os filhinhos mimados e com má formação de caráter produzidos pelos pais das classes média e altas sobem até ela. Quando esses mesmos filhinhos matam colegas dentro de universidades, colocam fogo em pessoas da "sub-raça" ou atropelam e matam famílias dessa última, a mídia emite notas ou gera matérias que mais dão a impressão de serem concordantes com tais atos. A imprensa e a mídia como um todo são reflexos dessa raça dominante. Que, ou hipócritamente dizem sentir pena dessa "sub-raça", ou mostram todo seu desprezo por ela. Dentro de seus lares burgueses e vidas medíocres, elegem os pobres, em especial os negros como inferiores, para fugirem de sua própria inferioridade. E tudo isso como não poderia deixar de ser reflete na mídia. E não existem programas sociais realmente interessados em gastar dinheiro com pobreza. No muito querem mudar a feia favela para longe deles. Infelizmente ainda somos obrigados a conviver com cidadãos... (como o que escreveu mais acima)

Jôse Marry disse...

A burguesia mediocre não aceita ser questionada pelo comportamento desprezível. Como é bom enxergar quando ela fica humilhada... Coitado de você Cidadão! Adorei C. Muito massa...

Jariana Fallero disse...

É muito fácil para aqueles que tem oportunidade criticarem aqueles que não tem. Aqueles para quem essa tão defendida e "superior" burguesia nega oportunidade. Querem concertar a favela? Dê oportunidade a ela e não esmolas ou polícia!

Morpheu disse...

Qualificar alguém como vagabundo é algo bem delicado. Existem muitas pessoas com alto poder aquisitivo que, no entanto, são vagabundas. E você qualificou muito bem meu camarada Cecílio! Eu clamo por oportunidade para todos. Oportunidades iguais. Que aquela pessoa da feia e incômoda favela tenha a oportunidade de aprender a programar em C, Delphi, java e todas essas incríveis linguagens...

Fabiano disse...

Pena que no Brasil capitão Nascimento ainda é considerado herói nacional... Ele é um cidadão de bem (hehehe...)

Lana disse...

Alguém exclui o comentário do cidadão por favor! Ele me faz vomitar... Vamos levar ele em um bate cabeça qualquer dia C? Uma lavagem cerebral como aquelas da agrotécnica ia fazer ele respirar melhor. rsrsrs... Bons tempos! Sangue punk na vêia heim meu lindo... Ainda hoje não nega o sangue dos anarcos. Pra sempre Rock and Roll. Quando vim traga essa obra de arte para ler nas nossas confrarias! Saudade. Apareça!

Véu disse...

é isso aí galera, jogando duro hein? legal ter a oportunidade de pretigiar produções de uma galera "oca" , mas oca às avessas. sucessos e muitas idéias na cachola. ah, vamos marcar outro camping. desta vez com mais ação jornalística, rs.abração.

Renata disse...

"... bandido bom é bandido morto e enterrado em pé, pra não ocupar muito espaço!"

Cris Couto disse...

Prém é preciso que se conheça quem são os verdadeiros bandidos... FHC, Lalau, Acm´s, Valérios, Barbalhos, Bush, Farias, Collor e por aí vai. Os engravatados da vida!

Bianca nunes disse...

Deve ser a coisa mais horrível está em sua casa e de repente a porta ir abaixo junto com a invasão de um bando de policiais.

Júlia disse...

Enquanto não legalizar, no mínimo a maconha, essas atrocidades irão continuar. Com a legalização tudo ficará mais controlável. O problema é que os interesses contra esse fato são muitos. A verdadeira máfia não quer que isso aconteça. Para eles é mais importante ganhar dinheiro enquanto os miseráveis se matam.

Adorei C! Muito bom...

San disse...

Data vênia para toda esta política hipócrita do país!!!!!! ninguém aguenta mais...

Flor de Lis disse...

C!!!! Saudade... Sumiu amore. Seus textos são demais meu jornalista favorito. A justiça nesse país já nasceu deficiente. Mas eles sabem que "nós é ralé mas não é mané".Quado aparecer na nossa terrinha vê se me liga. Quero te ver. E olha! Esse mês tem bate-cabeça. Nossa banda tá bombando. Beijo C! Seu texto tá punk.

Jan disse...

"Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio “coletivos”
E vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual
Mais eu “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol
Mas se o assalto é em moema
O assassinato é no “jardins”
A filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
Porque eu não “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida"

^^

por aí - sempre em todos os lugares... disse...

eu, vagabundo desde os cinco anos de idade, quando armei uma armadilha para minha avó pisar em vidros no fundo do quintal, não posso me ausentar de prolongar este texto.
primeiro, sinceramente, acho a maioria destes comentários de blog uma análise rasa e apressada de fatos muitas vezes importantíssimos. é mania de brasileir@, e não de todo negativa, de meter o bedelho em tudo...
mas, na boa, vamos ter mais responsabilidade... dói em meus olhos (e ainda mais em minha alma) ler coisas do tipo "bandido bom é bandido morto" ou "ao vagabundo nada"... e outras aberrações...
infelizmente o horário não permite uma análise sociológica mais detida, mas em breve anseio aclarar o porquê de considerar tais colocações exageradas, desnecessárias, preconceituosas...
por enquanto, posso afirmar que, numa sociedade como a nossa, constituída historicamente pela desigualdade sócio-racial, algumas declarações soam muito mais como mea-culpa ou politicamente correta do que reparadoras.
no brasil, quando se fala em bandido, se esquece de um olhar sobre as histórias de vida, raramente a estrutura de (des)organização da sociedade, sustentáculo das formas de opressão, é citada. por isso, invariavelmente, vejo pessoas de boa vontade e índole incólume cairem nas armadilhas do discurso hitlerista, de eugenia, como se deveras existisse uma "raça" superior que vive da morte cotidiana da outra "raça", inevitavelmente inferior. não é desta dualidade que precisamos...
aí vem ariano suassuna, um escritor limitado, falar de brasil oficial e brasil real, ressaltando sempre a superioridade deste sobre aquele. agora eu vou pegar uma tesoura e recortar o mapa do brasil...
como dizia minha avó, "faça-me uma garapa...". coitada de minha avó...

Ines Guimaraes disse...

Muito pertinente sua abordagem, Cecílio. Parabéns! Mas concordo com meu amigo ai de cima quando se refere a alguns comentários como "rasos e apressados".
Impossível negar que temos problemas sociais e que estes nao serão resolvidos com medidas paleativas nem tampouco com ideias radicais. "bandido bom é bandido morto". Certamente Hitler pensou assim em relação aos judeus antes de promover o holocausto.