Texto perfil: Manuca Almeida

terça-feira, 19 de agosto de 2008


De poeta e louco todo mundo tem um pouco


Ator, cantor, compositor, poeta são algumas das palavras que caracterizam as facetas de Emanuel Gama de Souza Almeida. Mais conhecido como Manuca Almeida, artista juazeirense, natural de Aracaju, começou sua história no incrível mundo da poesia, ou como melhor ele define, na loucura.

Filho de paraibano com sergipana, Manuca veio pra Juazeiro/BA e adotou a cidade como sua terra natal. Em 1978 declamava poesias pelas ruas da cidade. “Sou um falso baiano, isso é triste”, admite Manuca, mas fala também que toda sua energia vem da cidade terra de João Gilberto, cantor e compositor, iniciador da Bossa Nova, aclamado por muitos e louco para outros muitos. Com Manuca também aconteceria o mesmo, buscava inspiração na poesia concreta, onde nas loucuras das palavras desse movimento de “idéias abstratas” expressava seus sentimentos. Partindo do ponto concreto do movimento em que a poesia deveria ser um objeto visual, simultaneamente lida e vista, as performances da sua poesia sempre vinham acompanhadas de um jeito expressivo e particular que impunha nas palavras e gestos, causando ao mesmo tempo estranheza para uns e admiração para mais alguns.

Sempre com novas formas de declamar a palavra, juntou-se ao movimento alternativo e marginal dos poetas de rua de Salvador e São Paulo, passando a recitar em praças, bares, ônibus, teatros. Seus poemas são estampados em camisas, bottons, quadros, cartões, calcinhas, sedas.

Poetizando milhares de palavras ao longo de seus 30 anos de carreira , Manuca ultrapassa as barreiras da monotonia da pacata cidade juazeirense e chega aos ouvidos do Brasil e do mundo. Seja na poesia, na produção teatral, na música, na produção de livros ou outras peças midiáticas, ele inventa e voa num mundo de sonhos e realidades, traduzindo sua arte para várias linguagens.

“Eu venho do tempo do mimeógrafo a álcool. Eu sou velho!”, suspira Manuca sobre seu tempo de dedicação a arte das palavras. Mas não é o que diz a sua alma com jeito descontraído, sua roupa poeticamente colorida ou seu colar de boneca de pano. A poesia deve ser mais vivida do que sentida e trinta anos é pouco para as muitas palavras escritas e não ditas ou para as faladas, mas não escritas, ambas registros ou meros devaneios de uma mente louca ou de um simples poeta buscando explanar sobre seus sentimentos, porque como diria um tal poeta ou filósofo, de poeta e louco todo mundo tem um pouco. É só tentar.


Leônidas Vidal

À espera ( ou o que se faz quando o dia acaba sem grandes explicações)

terça-feira, 24 de junho de 2008


Madrugada fria de junho. Prenúncio de inverno disfarçado em insensibilidades. Inverno cinza, com leves tons amarelados do sol que insiste em sair, mesmo por trás das nuvens.

Não se tinha muito a fazer. Mente vazia de fim de domingo, página em branco, música tocando alto para esquecer. Música tocando alto e fazendo lembrar. A voz embargada do cantor não condizia com o estado de espírito que se desejava alcançar. Arrastava-se por uma melodia suave e letra patética. Xícara de café fumegando, tentando aquecer o ambiente. Não queria aceitar, mas esperava por algo. Esperou durante toda a imensidão entorpecente do fim de semana. Espera vã. Não queria aceitar, mas esperava por algo que não veio.

“Temos tendência a acreditar que o trem sempre irá passar e nos levar ao outro lado. O trem, o cavalo branco ou o que for. Mas algo tem que passar e nos levar ao outro lado”.

Falou em voz alta como se quisesse justificar para si mesma as horas de inquietação. Lembrou-se da música americana que dizia algo do tipo “atravesse para o outro lado” e confortou-se com as palavras do poeta morto, que só confirmava seus pensamentos, por mais infundados que parecessem ser.

Era magra, um terço de culpa, dois de sentimentos que não sabia nomear. Alguém assim não poderia ocupar muito espaço. Poucas palavras e uma vastidão a desbravar através do olhar. Olhar de sol poente. Gestos curtos, mas expressivos. Sorriso largo e fácil a enfrentar tempestades. Estava sentada a horas na mesma posição, em uma cadeira sem grande conforto, mas sua. Ignorava o sono e prolongava a espera. “O quanto ainda terei de ver passar até chegar a minha vez de ir adiante?” Não conseguiu ouvir a resposta, abafada pelo silêncio impaciente da noite que se despedia apressada. E continuou sentada, pernas cruzadas, pés descalços a sentir o piso gelado. Pensamento vagando perdido, página ainda em branco... continuava, mesmo sem se dar conta, a esperar.

Inês Guimarães

Sexta-Feira em CRISE

quarta-feira, 28 de maio de 2008


Durante o evento Curta na Uneb, no DCH III, será exibido nessa sexta-feira (30/05) o vídeo CRISE. Uma produção independente e de carater experimental produzido pelos alunos de jornalismo da UNEB, Cecílio Bastos, Leônidas Vidal e Patrícia Telles.

Crise é ambientado no Vale do São Francisco, região de passado extrativista e presente consumista. Dentro de um ambiente decadente e apocalíptico, desenvolve-se o humano borrão, com coreografias que se constroem como fenômenos imaginéticos. Acidentes, falhas e descontinuidades num limite entre realismo cotidiano e surrealismo. Um estágio de alternância, no qual uma vez transcorrido, diferencia-se do que costumava ser.

O curta será exibido no Canto de Tudo, a partir das 18h, antes da exibição dos vídeos produzidos pelos alunos da disciplina Laboratório de Vídeo-Arte, ministrada pela professora Fabíola Moura, responsáveis pela organização da terceira edição do Curta na Uneb.


Assistam e entrem em CRISE!

Sobre ontem e as seqüelas

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Ontem. Dia das mães. Dia triste, no qual as circunstâncias ficaram implícitas na solidão contínua da morosidade costumeira do domingo. Não adiantaria pedir perdão pela minha ausência, porque ela não acontece de fato, apenas projeta-se em meu silêncio de palavras feias. Ontem, mais do que qualquer outro dia das mães, mais do que qualquer outro dia seja qual fosse, senti sua falta. Senti falta de acordar de manhã bem cedo e preparar um café e levá-lo com uma rosa a florescer, e escrever coisas bonitas em um cartão bonito e entregar um presente bonito. Coisas que, se um dia fiz, não me recordo. Senti falta do abraço e da conversa e do sorriso. Falta de estar junto, simplesmente. De estar ao lado e ouvir uma música ou apenas ficar em silêncio, mãos dadas, cúmplices. A saudade nunca gritou tanto, nunca ocupou tantos espaços da casa vazia, nunca sugou tanto as minhas forças. Ontem foi um dia singular, porque senti sua morte outra vez. Não como a sinto todos os dias, mas como senti naquele dia 14 de agosto de 1997, quando insanamente dei voltas pela casa, sem pensar, sem compreender, sem me dar conta do que viria depois. Sentimento em sua mais pura essência, vivo, escorrendo, vibrando, pulsando forte.

O dia das mães já é ontem. Mas o ontem deixou seqüelas. Eu que sempre reclamei atenção agora não consigo ouvir. E eu com isso?, é só o que consigo pensar. Perdi o interesse. Não vejo sentido nas coisas que falam. Será que são as coisas que estão sem sentido? Alguém ri de algo idiota. Iguala-se e não me vê. É ele o idiota? Irrita-me tanta irritação interna. Precisa sair, vulcanizar, extrapolar as fronteiras de mim. Eu não caibo mais em mim. Acho que essa frase não é minha. Mas o que importa? É exatamente isso que foi dito agora. Nada disso tem importância. Tudo vai seguir tortamente o fluxo da vida e acabar de forma brusca em algum quarto podre, escuro e solitário. Danem-se as coisas, danem-se os pensamentos elevados. Eu odeio gente arrogante, gente prepotente, gente áspera. São ressequidos como o solo que levou meu espelho. Tolos, são todos tolos e estúpidos, incapazes de perceber. Por que não me percebe? Não sei o que Jim Morrison pensava quando embriagado cantava “people are strange, when you´re stranger faces look ugly when you´re alone”. Mas a música me reflete, simboliza e incorpora o meu sentir. Pseudo-sentires. Fracos e impessoais. Não entendeu que nada disso me importa mais? Não consegue ver que meus olhos faíscam perante a imutabilidade desse querer saber, ter, dizer que quer e que sabe e que tem?

Sinto-me mais leve. Ou menos pesada. Ou menos cheia de tormento. Ou menos. Ou mais. Ela me irrita. Tudo que o envolve que não esteja ligado a mim me irrita. Contradições. Tépida, cálida. Gosto de palavras proparoxítonas. Elas sempre parecem dizer mais do que realmente dizem. Mãos. Ultimamente tenho atentado-me a elas. Vontade de pegar. De fazer carinho. Simples carinhos. Simples mãos. Simples simples. Tudo meu parece simples. Acho que porque não existe de fato. Impensamentos. Isso existe? O ato de não-pensar engrandece porque nos torna capazes de inviver quando se quer. Ser capaz de não se ser, na hora em que não vale a pena se ser. Precisava disso. De uma tarde dedicada às minhas imprecisões porque elas têm sido muitas. Muitas e cada vez mais imprecisas.
Por Inês Guimarães, sobrevivente de mais um desses domingos

Armas químicas e poemas de amor

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Naquela tarde, só queria que me olhasse
Mas nem eu tive coragem de olhar
Se você conseguia perceber alguma coisa
Queria, então, apenas um beijo
Holocausto em mim
É difícil te esquecer
Por mais que eu tente, as lembranças permanecem aqui
Como cortes em carne viva
Como bomba atômica em constante explosão
Isso tudo dentro de mim, e por causa de você
Parece que estou em uma guerra constante
E tudo isso não cabe mais em mim
Arma química consumindo meu ser
Consumindo o tempo e não vivendo
É tudo em mim, ah cadê você?
Destruindo meu viver
Dando fim ao início de todo esse tormento
Atormentando-me no inicio de meu fim.


Poema feito em mais uma noite construtiva de MSN, por quatro (ou oito) mãos nervosamente tocadas por algo oco. Por Inês Guimarães, Leônidas Vidal, Patrícia Telles e a participação oca e especial de Ludmillie de Castro.



TEMPOS

domingo, 27 de abril de 2008

Tempo de descobertas. Naquele ano eu não fui apenas a menina calada que costumava ser. Descobri a saída de meu mundo até então restrito a um punhado de pensamentos e desejos intocados. Tudo por uma revistinha da turma da Mônica que inocentemente se pôs em meu caminho. E o que aconteceu daí em diante minha memória persiste em reacender todos os dias.

Tempo de vida. De vida nova. De compreender que a essência humana não se limita a sentimentos torpes e que em meio à repugnância de atitudes ignóbeis foi possível existir um lugarzinho acolhedor, onde apenas se ria sobre a calçada de cimento cru, embaixo de uma jovem árvore a desafiar o sol juazeirense. E se ria por tudo. Ou por nada. Do quadrúpede que passava sorrateiro pelas ruas amarelas de paralelepípedos quebrados, do silêncio que se fazia intruso nas madrugadas escuras e frias de calor humano, da avó que saía trôpega a reclamar da felicidade por não tê-la conhecido em sua plenitude como via acontecer ali, diante de suas frustrações.

Tempo de novas estradas. Estradas percorridas com os pés descalços sob a teimosa chuva de verão de um dezembro que não quis passar. Estradas eternizadas pelas marcas rápidas de uma Honda Biz azul que sempre chegava aos gritos anunciando a música saída de um violão mal tocado. Sempre os mesmos acordes e o mesmo inglês torto. E ainda assim a magia do lugarzinho seguia intocável, entre pratos de miojo e potes de sorvete com leite condensado, entre palavras ditas sem pudor e gravadas no tronco da árvore.

Tempo de saudade. O lugarzinho continua ali, mas hoje não é mais acolhedor. A rua chora vazia uma saudade que não consegue compreender. As presenças que a povoavam tornaram-se lembranças de um tempo que ficou em mim, que ajudou a me fazer como sou agora. Tempo de eterna saudade cantada na letra de Caetano: “eu marquei demais ‘tou sabendo. Aprontei demais só vendo. Mas agora faz um frio aqui”.
Inês Guimarães

Apologia ao filho que eu queria ter

quarta-feira, 23 de abril de 2008

A alguém (in)satisfeito com seu rebento

Míseros sonhos despedaçados pelas estradas torpes em que passei. Destruídas todas as pontes, não vejo mais como chegar ao outro lado. Só consigo contemplar o horizonte alheio. A projeção de mim na figura de um homem que conheci há pouco, que se protege com as armas da lei das amarras de meus desejos mal disfarçados.

Menino levado correndo por um campo aberto em dia de chuva. Pés descalços, sujo de lama a esperar ansioso pela chegada do pai. Braços abertos em dia que não tem fim. E a imagem cresceu comigo juntamente com as frustrações que não quis para ele. Menino levado sentado a estudar. Alta patente, gente importante, rolex balançando douradamente no pulso orgulhoso do pai. Como na música de Toquinho e Vinícius, canto o filho que eu queria ter.

Mas de tudo isso o que restou? Sombras de um destino que me legou a felicidade ao mesmo tempo próxima, mas de poder de outro. O filho que eu queria ter não pertence a mim nem me chama de pai quando o telefono para desejar feliz aniversário. E quando retorna à cidade não dorme em minha casa, não come da comida que faço, não me dá o prazer que sentem seus seguranças de estar a todo tempo a seu redor.

E de tudo isso o que restou? A vontade camuflada em atitudes cruéis ou tantas vezes indiferentes que alimento para com o rebento que me sobra. Tento manter o controle, fingir, não admitir para mim mesmo que não existe, senão em outrem, uma parte de mim. Cala-se de novo a voz. Dorme estranhamente de novo tudo. Que tudo vire sonho e que venha a realidade para eu aprender a dominá-la como faço com meu mundo. Tenho tudo, faltam o nada e a esperança.

Por Inês Guimarães - vivendo dias mais ocos ainda

SEM PALAVRAS

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Meu silêncio grita. Grita silencioso a explicar palavras sem explicações. Fala por mim numa verborragia infinda que não se limita a breves impressões, que vai além do que é possível dizer com meras palavras que não sei usar, ou que saem sem sentido numa profusão de asneiras incompreensíveis.

Meu silêncio esbraveja. E quem não o reconhece entre as palavras subtendidas no silêncio velado ignoram uma porção de mim. Talvez eu por vezes o tenha ignorado em seus mais agudos gritos por sentimentos indefinidos, por sentimentos que eu teimo em não reconhecer. Ignorado-o em meus acessos de palavras desnecessárias.

Silêncio. Uma pausa incômoda permeia o ambiente. Dois pontos no ar e nada mais depois. Reticências. O barulhinho da mosca interrompe o manifesto. Atrapalha e grita ao seu modo. Palavras ocas. Asas debatendo-se contra sua existência silenciosa.

E?
Caras de irritação a olhar meu silêncio. Não conseguem chegar ao fim. Desistem diante da mesmice, da falta de, do excesso de. Não tentam. E o silêncio mantém-se a gritar por mim.
Texto de Inês Guimarães, vivendo dias ocos...

DIA OCO

segunda-feira, 14 de abril de 2008

13 de abril. O sol ainda é tímido quando o som do despertador anuncia mais um longo e monótono domingo. “Ruas de algodão e seus postes de feijão. Vejo do meu jardim longe do chão”*. No pequeno aparelho ao alcance de minhas mãos, as mesmas músicas psicodélicas, familiares para o dia da semana, com as quais dormi na madrugada anterior.

Já é noite. Passaram-se quarenta horas desde que acordei esta manhã. “Tenho andado tão longe do chão”*. E o pequeno aparelho continua a tocar as mesmas músicas alucinógenas, de letra e melodia estranhas que se encaixam em mim.

“Chove frio, bom para ir ver o mar, ou pra chegar do outro lado do rio”*. Pensei o dia inteiro que o trecho não se adequava à ocasião. O sol quente do sertão baiano ocultou as nuvens da chuva que só chegou nesse instante e caiu no ritmo da batida branda da canção que me perseguiu por todo o tempo.

Não sei escrever. Não sei traduzir em palavras o que tenho vontade de fazer. Não consigo traduzir em gestos o que tenho vontade de fazer. Não sei mais o que tenho vontade de fazer. Apenas caminho. “Já não tenho olhos para dormir nem um só segundo pra sonhar”*. Como não? Passo todo o tempo fazendo isso. Nada mais que isso. “Sempre inventando um bom jeito de inventar”*. Não sei por que essa música me encantou desde a primeira vez que a ouvi... Talvez ela diga nas entrelinhas coisas sobre mim.

Queria falar do Supercordas e das músicas que passei todo o dia ouvindo, tentando fazer delas uma inspiração, tentando fazer da minha admiração uma inspiração. Mas não consegui. Mais uma vez não consegui. Vou dormir pensando como poderia fazer sem fazer. Mais uma coisa adiada. Tantas coisas adiadas. Sentimentos adiados, atitudes adiadas. “Me dê a sua mão pra atravessar cirros e os nimbos”*. Por que não dizer? Uma vida adiada? Para que? Até quando? Há uma finalidade, decerto. Talvez ainda implícita em minha falta de atitude e excesso de pensamentos que não passam de pensamentos.

Lá vou eu mais uma vez (pela milésima vez mais uma vez) dormir. Deixando de lado coisas que eu queria ter feito, pessoas e conversas que eu queria ter tido. “Todas as estrelas tão difíceis de se alcançar brilham tão suaves, mas não deixam de brilhar”*.

Inês Guimarães

*Trechos de músicas dos Supercordas (Sobre o frio, Longe do Chão e O céu que você vê), banda carioca que recomendo. Apenas uma sugestão.

Impasses do fotojornalismo

domingo, 30 de março de 2008

Um clique. Narrativa visual espetacular. “Operador da fragmentaridade”. Seria, então, um retrato da realidade ou uma manipulação digital a arte de fotografar? Arte! Esse nome pode remeter um momento único, em que um fotógrafo imortaliza um acontecimento importante da história, como também, ao meu pensar, pode representar um aspecto manipulador. Como lutar pela valorização do fotojornalismo numa sociedade em que a tecnologia, cada vez mais, nos dar subsídios para a arte da manipulação?

Antigamente, os fotojornalistas utilizavam máquinas analógicas. Os recursos eram poucos, as fotografias eram precárias, porém, não passavam de uma simples retratação da realidade. Hoje, com o avanço desenfreado das imagens digitais e sua praticidade, pairam dúvidas sobre a credibilidade dessa profissão. É muito fácil transformar uma foto real em algo do desejo do público. Não quero, assim, desmerecer o fotojornalismo, afinal a profissão vem ganhando espaço e adquirindo maturidade.

Foi no jornal inglês, Daily Mirron, em 1904, que foi publicada a primeira fotografia. Daí em diante, o público leitor passou a ter um tratamento especial frente à notícia. Essa valorização visual promoveu uma demanda maior de fotógrafos de imprensa. Atualmente, o público não consegue imaginar como seria uma informação sem que seja acompanhada da fotografia, visto que ela representa um “casamento” que complementa a notícia. O fotógrafo passa a ser o criador de uma narrativa visual, que hoje é imprescindível ao jornalismo, ganhando autonomia e reconhecimento.

O fotojornalismo vive um impasse entre satisfazer o interesse público ou o interesse do público. Anos atrás, os fotógrafos “aspiravam a exprimir, através da imagem, os seus próprios sentimentos e idéias de sua época. Rejeitavam a montagem e valorizavam o flagrante e o efeito de realidade suscitado pelas tomadas não posadas, como marca de distinção de seu estilo fotográfico”. Atualmente, como tudo que se submete ao sistema capitalista, o fotojornalismo atua também como um mercado.

Mas continuemos a crer num poema que diz: A pessoa, o lugar, o objeto / estão expostos e escondidos / ao mesmo tempo só a luz / e dois olhos não são bastante / para captar o que se oculta / no rápido florir de um gesto / É preciso que a lente mágica / enriqueça a visão humana / e do real de cada coisa / um mais seco real extraia / para que penetremos fundo / no puro enigma das figuras / Fotografia – é o codinome / de mais aguda percepção / que a nós mesmos nos vai mostrando / e da evanescência de tudo / edifica uma permanência / cristal do tempo no papel / Das luas de rua no rio / em 68, que nos resta / mais positivo, mais queimante / do que as fotos acusadoras / tão vivas hoje como então / a lembrar como a exorcizar? / Marcas de enchente e do despejo / o cadáver inseputável / o colchão atirado ao vento / a lodosa, podre favela / o mendigo de Nova York / a moça em flor no Jóquei Clube / Guarricha e nureyev, dança / de dois destinos, mães-de-santo / na praia-templo de Ipanema / a dama estranha de Ouro Preto / a dor da América Latina / mitos não são, pois são fotos / Fotografia: arma de amor / de justiça e conhecimento / pelas sete partes do mundo / a viajar, a surpreender / a tormentosa vida do homem / e a esperança a brotar das cinzas.
(Carlos Drummond de Andrade, em Diante das fotos de Evandro Teixeira)

Por Patrícia Telles

Poeminha Concreto Muito OCO: BARROCO

sábado, 29 de março de 2008

Barroco
Bach* Rouco
Bar Oco


(*Pronuncia-se Bá - Johann Sebastian Bach - músico)


Inês Guimarães

Enriqueça sua cultura geral

quarta-feira, 26 de março de 2008


E agora algo completamente diferente:

• Nenhum habitante do Egito Antigo chamava sua terra de Egito Antigo

• Um samurai é muito diferente de um samovar

• Édipo foi o vencedor das Para-Olimpíadas de Tebas em 429 A.C.

• A gigantesca lagosta azul da Nova Zelândia nasceu em Carapicuíba, São Paulo

• Durante a Inquisição Espanhola, os fósforos custavam uma fortuna

• Ingmar Bergman e Ingrid Bergman não eram a mesma pessoa. Peter O’Toole e Vanessa Redgrave são

• Os primeiros aviões de Santos Dumont chamavam Demoiselle, Pinta e Nina

• Vincent Van Gogh não ouvia nada que Marcel Marceau falava

• Ao contrário de Oscar Niemeyer, Ramsés II só virou múmia depois de morto

Edson Aran (cronista do Blônicas)

Contabilidade da sua vida

domingo, 16 de março de 2008


video



Comercial da National Geographic sobre o que você faz da vida,será que é perda de tempo tudo isso que fazemos?

3 anos sentados no vaso sanitário?
12 anos na frente da TV?
E o pior, 19 dias procurando o controle remoto?

Você realmente já pensou nisso?

Se tem algo que faltou no vídeo, comente aqui.

Identidade...

terça-feira, 11 de março de 2008


"Confiante na ilusória promessa de sua vida, o americano não se preocupa com o seu presente, não vive plenamente a sua vida presente e esta se esvai sem ser propriamente vivida por ele.(...) No fim de sua vida, pensa Ortega, o homem americano se vê confrontado com a dolorosa experiência de que a vida tenha passado sem tê-la vivido, sem advertir sequer seu passo concreto. Não se trata, contudo, de simples tomada de consciência de uma sensação de fracasso, pois para assistirmos ao seu fracasso é necessário que a estejamos vivendo. Conclui Ortega que "o crioulo não vive a sua verdadeira vida, mas que ela tem passado sem que ele se dê conta, vivendo a outra, a vida prometida. Por isso, quando chega à velhice e olha para trás, não encontra a sua vida, porque não passou por ele, aquela que não viveu, e encontra somente um rastro dolorido e romântico de uma existência que não viveu. Encontra, pois, o vazio, o OCO de sua própria vida³".
Comentando a reflexão de Ortega y Gasset¹, assim analisa Raul Fornet-Betancourt²
¹ José ORTEGA Y GASSET. “La Pampa... promessas”. In: Obras Completas, citado por Raul FORNET-BETANCOURT, Problemas Atuais da filosofia na Hispano-america, São Leopoldo, Editora Unisinos, 1993.

² Raul Fornet-Betencourt. Problemas Atuais da filosofia na Hispano-america, São Leopoldo, Editora Unisinos, 1993.

³ Desdobrando as reflexões de Ortega, Betancourt afirmará em 1993 que tanto a verdade da América, como o modo de ser americano, consistem em sua própria mentira. A rigor, o ser e a verdade da América aparecem como problemas, porque não são o que aparentam ou o que pretendem ser. Seu ser é o não-ser e, sua verdade, a mentira. (...) O ser da América é o não ser de sua utopia, e sua verdade, a mentira de seu sentido inventado.

A evolução? De quem mesmo?

quarta-feira, 5 de março de 2008

Esse aí não é oco não! Tá cheio, mas de m....
Mídiaaaaaaaaaaaaaa

Quando se perde a sombra

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008



A humanidade saiu da cama em que estava com sua parceira(o). Pulou do estado explosivo e ofegante do prazer para o pós-orgia. Agora toda superprodução está a nossos pés, mas não sabemos o que fazer. E continuamos produzindo, ou melhor, reproduzindo.
Os terráqueos se tornaram máquinas reprodutoras. Reproduze-se política, sexo, forças produtivas, forças destrutivas, mulheres, crianças, inconscientes, arte. Vive-se na reprodução indefinida de ideais, de fantasmas, de imagens, de sonhos que há tempos ficaram para trás. Caminhamos no vácuo, porque parece, que até aqui, esgotaram-se todas as possibilidades de liberação. Já não há vanguarda artística, sexual nem política com uma possibilidade de crítica radical.

Quer um exemplo prático? Antes da presidência, Lula representava a esperança revolucionaria desta nação. Prefiro não comentar o resultado. Mas e agora? Quem após o fim de seu mandato representa algo, no mínimo, exótico para este país?


Coisas continuam a funcionar ao passo que a idéia delas já desapareceu há muito. E o paradoxo é que elas funcionam melhor ainda. A produção mundial de automóveis, por exemplo. Hoje, não se produz carros para o seu destino – pessoas. A industrialização de veículos está destinada à venda. Não importa se o produto vai ser vendido ou não. O importante é reproduzir. Outro exemplo é o sexo. Alguém aí acredita que a essência do sexo ainda está viva? Eu almejo que sim. Os seres tecnológicos, as máquinas, os clones, as próteses, todos eles estão transformando os seres humanos em protozoários. A evolução(?) sucumbiu o conceito de sexo, de transa, de prazer, de desejo. Todas as tentativas atuais, entre as quais a pesquisa biológica de vanguarda, tende para o aperfeiçoamento do ser assexuado imortal em detrimento do sexuado mortal. Na época da liberação sexual, a palavra de ordem foi “o máximo de sexualidade com o mínimo de reprodução”. Atualmente, o sonho de uma sociedade clônica seria o inverso: o máximo de reprodução com o mínimo possível de sexo. E a AIDS parece ser uma das grandes ferramentas de manutenção desse novo sistema, instaurando a confusão elementar da epidemia.


O sexo não está mais no sexo, mas em toda parte. Assim como o político, que já não está no político, mas infectando todos os domínios. Cada área por assim dizer expande-se no seu mais alto nível e se generaliza, perde sua idéia, sua sombra. Quando tudo é político, nada mais é político, e a palavra já não tem sentido. Quando tudo é sexual, nada mais é sexual, e o sexo perde toda a determinação. Quando tudo é estético, nada mais é belo nem feio, e a própria arte desaparece.


Cecílio Bastos (ou Ricardo)

A máfia do “Guaraná”

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008


“Vivemos esperando, dias melhores, dias de paz, dias a mais, dias que não deixaremos para trás!... Vivemos esperando, o dia em que seremos melhores, melhores no amor, melhores na dor, melhores em tudo!...”. Foi ao som de Josta Quest, viajando em uma tarde de sexta-feira, que eu e minha família fomos abordadas: “Parem! Passem tudo o que vocês têm, dinheiro e jóias. Bora, bora! Passem a grana, senão...”. Aí muitos pensam: foi um assalto! É, amigos ocos, foi uma tentativa de assalto! Só que as palavras não foram essas que citei logo acima.
Então, vamos lá. Dois policiais militares, um aceno com a mão e lá estávamos nós parados na estrada. Foram poucas as palavras, suficientes para nos deixar perplexos. “De onde estão vindo? Estão indo pra que cidade?” Crentes de que era apenas isso, já nos preparávamos pra seguir viagem, quando um dos policiais falou seriamente: “Me dê aí o do guaraná pra gente não perder muito tempo”! Aí me lembrei de quando fui para Salvador, de quando fui para o Recife. Não escapei em nenhuma dessas. Mas sempre me surpreendo... Sempre há algo de novo. Uns são mais contidos, outros mais descarados. Alguns até preferem acreditar que isso faz parte de seu “trabalho”, talvez pra se livrar da auto-condenação.
De quem é a culpa de tudo isso? Quem comete o crime? Será que é quem pede?! Ou quem paga?! O cidadão tem o dever de cumprir a lei e o policial de fazê-la cumprir. Mas a procura de facilidades, vinda da própria natureza humana, é que banca todo esse esquema de corrupção. É, somos nós cidadãos, com nossa descrença de dias melhores, que alimentamos esse tipo de crime. É uma conivência velada. Uma reciprocidade. “Me ajeite, que eu lhe ajeito”. É assim que funciona. Uns podem até dizer: “Ah, isso acontece por conta do péssimo salário que recebem”. Se fosse assim, todo assalariado seria ladrão! Na verdade, a corrupção é questão de ética social, que deveria ser prezada diante das mais diversas imposições sofridas.
Patricia Telles

Fidel renuncia. E agora, Cuba?

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008




Foram 49 anos no poder. Inabalável por todo esse tempo, não lhe faltou ousadia para enfrentar sozinho e de peito aberto o capitalismo e a maior potência mundial. Tacharam-lhe de ditador. E talvez o tenha sido se analisarmos cuidadosamente a trajetória de Fidel Castro diante de Cuba desde a Revolução Comunista de 1959. O mundo o repreendeu e, liderado pelas forças americanas, fechou-se ao redor de Cuba.

19 de fevereiro de 2008. Em carta publicada no Granma, jornal do Partido Comunista Cubano, Fidel anuncia que não voltará a assumir a presidência, pondo fim a uma era alternada entre atentados, crises econômicas e surpreendentes níveis de saúde e educação. 81 anos, vencido pelo que denomina como um de seus maiores inimigos, Fidel já havia transferido os poderes presidenciais a seu irmão Raúl Castro desde julho de 2006.

A pergunta que não quer calar: Cuba continuará nos padrões Fidel? Não tardou para surgirem propostas de democratização. Em primeiro plano, cheio de boas intenções com o sofrido povo cubano, o todo-poderoso George W. Bush anunciou que os Estados Unidos ajudarão a transformar o sistema político da ilha, talvez como fizera com o Afeganistão. Não muito atrás, países da União Européia declararam apoio às reformas, “tratando de dar tranqüilidade ao povo cubano”, como pronunciou o governo espanhol.

E agora, Cuba?



Inês Guimarães (de novo, rsrsrsr)

Ó Lula indo




As viagens do carismático presidente oco da República Federativa do Brasil não de hoje geram comentários e já viraram até livro. Apenas como dado curioso, somente nos três anos iniciais de sua primeira administração, ele realizou simplesmente 85 viagens. Para quem acha um número pequeno em relação à quantidade de dias, foi o quase o dobro das idas e vindas de FHC no período entre 1994 e 1998. E ainda o satirizávamos chamando-o de “Viajando Henrique Cardoso”. Inteligentemente, os repórteres Eduardo Scolese, da Folha de São Paulo, e Leonencio Nossa, de O Estado de São Paulo, aproveitaram que tinham como função cobrir o Palácio do Planalto, acompanharam o digníssimo em suas excursões e traduziram a experiência no livro Viagens com o Presidente.

Mas não é para fazer propaganda do livro que me manifestei. Recentemente vi estampado nos principais jornais, ou como manchete dos noticiários televisivos, a presença do excelentíssimo na Antártida. Tal notícia deixou-me inicialmente intrigada. Não que o continente gelado não mereça a presença do presidente, até porque lá existe uma base brasileira. Intrigou-me o motivo de ele estar lá, com a figurante mais famosa do país ao lado, figurando como sempre e envolta em caríssimas roupas térmicas. Na verdade não foi o motivo, foi a falta de. Desses jornais aos quais tive acesso, nenhum conseguiu esclarecer o que realmente ele foi fazer lá. Encantou-se com a vastidão de gelo, falou algumas frases de efeito do tipo “já me considero antártico”, comeu salada de bacalhau crocante e medalhão ao alho guarnecido com legumes salteados no azeite e arroz com brócolis, prometeu (como bom político não poderia deixar de fazer) mais investimentos na Comandante Ferraz e depois de cerca de duas horas voltou temendo o mau tempo, sem se esquecer de pedir no passaporte o carimbo desenho do pingüim.

Enquanto isso o Brasil fervia em denúncias de corrupção, na possível CPI do cartão corporativo, nas discussões do projeto de transposição, em violência, insegurança, gastos excessivos no Congresso... e lá vai o Lula de novo.


Inês Guimarães

Rádio-teatro apresentado na disciplina Radiojornalismo II, no curso de jornalismo da UNEB - DCH III (Juazeiro-BA). Uma produção cheia de mistério que vai deixar você com o coração na mão. Escute, opine, dê muita risada e se assuste.

boomp3.com

Rádio-teatro apresentado na disciplina Radiojornalismo II, no curso de jornalismo da UNEB - DCH III (Juazeiro-BA). Uma produção cheia de mistério que vai deixar você com o coração na mão. Escute, opine, dê muita risada e se assuste.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

MUNDO "OCO”

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008




O MUNDO NUNCA TEVE TÃO OCO E LOUCO.
TEM EXCESSO DE TECNOLOGIA E MUITA FANTASIA.
TEM ESTÉTICA, EM DETRIMENTO DA ÉTICA.
VIVE-SE O LUXO, EM PREJUÍZO DO "BUCHO".
VIVE-SE O FÚTIL, CULTUA-SE O INÚTIL.
NOS DISCURSOS É O MÁXIMO,
O HIPER O ULTRA-EGO, O SUPEREGO.
UM TÉDIO.
TEM CIÊNCIA E POUCA CONSCIÊNCIA.
UMA ENXURRADA DE PALAVRAS SEM NEXO,
"DE RIMA EM EXCESSO",
EITA MUNDO COMPLEXO.
UM MUNDO DE APARÊNCIA E FANTASIA
...ARGH... QUE AZIA.
UM MUNDO DE MODELOS E MODELITOS,
DE PADRÃO E OUTROS "ÃOS"...
SINCERAMENTE, SEM TESÃO.
UM MUNDINHO DO TER E NÃO DO SER.
TÔ PASSANDO MAL... MELHOR ESQUECER!
NÃO É MAIS O CÔNCAVO E CONVEXO,
É O PERVERSO.
É O MUNDO DA MÚSICA VAZIA,
TOLA E TOSCA,
DO MODISMO SEM GRAÇA,
DA PERFORMANCE PATÉTICA
DA "ESTRELA CAQUÉTICA".
É O MUNDO DO ABSURDO INSANO,
QUE SUBESTIMA A INTELIGÊNCIA
E PÕE NO TRONO O TIRANO.
DO HUMOR IRÔNICO, "IRADO", MANJADO.
É A ERA DO MEDÍOCRE, INCOERENTE,
DO DESCRENTE,
DO IMPOTENTE E DO

ESPETACULARMENTE "OCO”.


Comentário de J.MENEZES (sobre o texto do blog Um outro oco Brasil, de Inês Guimarães) que virou texto oco ou vice-versa, ou um texto oco que proporcionará mais comentários e mais textos e mais "oquices" , dando origem a um ciclo sem fim.

Olá pessoal, resolvemos repostar a crônica: Viva cidadão! Viva a lei brasileira! (Cecílio Ricardo) para experimentar a percepção do leitor e, agora ouvinte do blog sobre o assunto.Segue a crônica em áudio, escutem e comentem. Clique aí óóó e experimente os novos buracos ocos da web.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

boomp3.com

Um outro oco Brasil

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008




O sol se põe. Ligo a televisão e vejo que em várias avenidas outros sóis continuam a brilhar. E assim acontece sem parar durante sete dias. O Brasil se reveste de alegria e segue por uma semana o ritmo compassado dos tambores afro e da agitação frenética dos trios elétricos. Como uma alegoria gigantesca, sai às ruas exibindo a felicidade que implora por não ter fim. Nesse período não há mortes, não há corrupção, não há pobreza nem sofrimento. Tudo segue harmoniosamente cadenciado.

Desligo a televisão. Meu quarto ecoa as músicas de sucesso do carnaval baiano. Segue involuntariamente atrás da batida do trio que passa arrastando multidões. Tento ler o jornal, mas o que vejo em suas páginas estranhamente coloridas não condiz com o Brasil que costumo ver. É um Brasil camuflado em seu contentamento passageiro. Altas doses de diversão injetadas de uma só vez. Vejo que o Brasil carnavalesco, mesmo que por um momento, esqueceu o Brasil de verdade. E lamento muito por isso.



Inês Guimarães

Viva cidadão! Viva a lei brasileira!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008



Assim como no ano passado a justiça brasileira já tem os culpados do tráfico de drogas no país. Para ela todos são suspeitos. Todos que vivem em uma favela, um cortiço ou algo parecido. Sim, porque em bairro classe “A” só existem usuários. Vítimas, playboy inocente. Data vênia!
Data vênia quer dizer: “perdoe não concordar, ilustríssimo, meritíssimo”. É uma expressão delicada e respeitosa com que se pede permissão para discordar. E não ouse ser menos educado meu caro. Você corre o risco de, no mínimo, se enquadrar no artigo 331 do código penal. Desacato...
Data vênia com o mandado de busca coletivo! Um pedaço de papel que permite à polícia invadir qualquer casa, barraco ou construção, situados em local que passe por ação policial. Traduzindo significa pé na porta de barraco, solado de bota na cabeça de adolescente e corpo estendido no chão. Ser pobre agora é crime. Mens legis... O espírito da lei.
Ex adverso... Do lado contrário, a ONU diz que o narcotráfico mundial movimenta por ano cerca de um trilhão de dólares. Engraçado... A galera do morro deve esconder muito bem cada centavo. E o melhor, decide viver na miséria para “dar uma volta” na receita federal. “Dar uma volta” na gíria do sangue bom quer dizer enganar. Encontrei o significado dessa expressão na Folha Online. Legal, se não fosse a manchete: “Tráfico no Rio: Gírias, confira alguns termos usado no tráfico de drogas”. Ê Brasil!
Arbitraram os governantes que entre o morro e o asfalto está a justiça. Justiça vem a ser respeito à igualdade de todos os cidadãos. Cidadão, em resumo, é aquele que tem direito à escola, à saúde e à propriedade. Quem não se enquadra é vagabundo. Vagabundo é lixo humano descartável e nem Juvenal Antena está aturando mais.
Parabéns cidadãos! Cada um de vocês está ganhando dinheiro e vendo o povo se matar. Obrigado meu pai e obrigado minha mãe... Obrigado por não criarem mais um cidadão. Hoje tenho orgulho de ser marginal. Tenho orgulho de ser um marginal alado. E não sou como você, um cidadão envergonhado.
Cecílio Bastos (outro amigo do OCO)

Poesia OCA mesmo

sábado, 2 de fevereiro de 2008


O besouro

O besouro voa
Em meu ouvido ecoa
Ele entra sem bater
E aparece mais sempre que está pra chover
Ele bate sem entrar
E incomoda sem parar
Cada besouro tem sua função
Eita besouro chato
Só não gosto de levar aquele ferrão
Eita besouro, sai pra lá e vai funcionar em outro lugar
E me deixa aqui,
Sem você
Cada eco de suas asas, a minha paz vem perturbar
Meu sono incomodar
E não consigo mais descansar
Você acorda meu coração nessa noite de chuva
Essa é sua nova função
Fazer bater forte meu coração.


Outra poesia oca (novo estilo de texto) produzida nos bate-papos criativos no msn com a galera OCA. É sem sentido mas é legal.

Leônidas Vidal, Patricia Telles e Ludimille de Castro



Poesia OCA II

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Lá vem o trem
Já começou?
Ô
E lá vai
Cadê?
Ali, por trás da serra
Levou com ele um pote de guaraná
Mas o que ele queria mesmo era tomar um chá
Larga essa vida e corre comigo
O mundo é pequeno, mas as pernas são menores ainda
Não precisa de um abrigo
É só seguir em frente
Até o fim do mundo.





Leônidas Vidal e Inês Guimarães em mais uma noite criativa no msn.

Uma cidade sem Bossa

terça-feira, 29 de janeiro de 2008


“João fala assim: ‘a Bossa Nova nasceu naquele bairro ali, no Angary. Ficava ali na infância e as ondas do rio chuaá, chuaá, junto com o som da lavadeira. Daí criei a batida tchaan-tchaan-tchaan e a Bossa Nova nasceu’”. No “M feio”, na orla de Juazeiro – Bahia, nos preparativos de mais uma noite de som ambiente, sentado, esperando uma porção de frango à passarinho, Mauricio Dias, Mauriçola, lembra que o criador do gênero musical que viria a revolucionar o modo de harmonização e de canto do samba brasileiro nasceu aqui, mas a Bossa Nova não. É fato. O espaço dedicado, hoje, à revolução musical não se distingue muito do tempo no qual João Gilberto, com 18 anos, deixou a cidade que não o entendia. As rádios de Juazeiro não dispõem de uma programação específica. E a preferência do público, que passa longe dos acordes complexos do violão do juazeirense, está mais para o pagode e a cultura de massa.
1958. A música brasileira vestia-se de terno e gravata e arrastava-se melosamente por suas dores amorosas. A mudança fazia-se necessária. O Brasil crescia no ritmo frenético da industrialização, saía do campo para chegar pertinho do céu nas cidades que se formavam verticalmente. Esse novo modo de vida pedia uma transformação cultural que se adequasse a ele. Foi então que o formalismo cadente das longas palavras cantadas e tocadas por um amor perdido começou a conhecer seu descompasso. O ritmo que se revestia em um lirismo europeu dava lugar ao samba reinventado pelos precursores do estilo musical que mais tarde simbolizaria mundialmente a identidade brasileira.
Segundo o livro Chega de Saudade, de Ruy Castro, a Bossa Nova, que em 2008 completa 50 anos, nasceu na zona sul carioca, em apartamentos da classe média de Copacabana. O ponto de encontro era a casa de Nara Leão, musa do movimento. Era uma juventude despreocupada, que vivia pela música. Não demorou para o novo ritmo ser taxado de elitista e antimusical. “A Bossa Nova encontrou muita resistência. O compositor de Seresta Moderna, por exemplo, cantava ‘seresta moderna, um gaiato sem voz, um samba sem graça, desafinado que só vendo’. E o gaiato era João Gilberto. Quando Tom Jobim compôs Desafinado ele logo disse ‘essa aí é minha’ e gravou’”, conta saudoso Antônio Leal, que fez parte do movimento em Juazeiro e Petrolina. A resposta às críticas vinha em forma de música.
Considerado o papa da Bossa Nova, João Gilberto nasceu em Juazeiro e foi embora cedo, incompreendido por sua introspecção e sua paixão pela música. “Eu lembro de João novinho, rapazinho. Ele ficava sentado na praça Simões Filho, tocando violão e a gente o chamava de abestalhado, a gente mangava dele”, diz seu Antônio. A cidade era muito pequena e conservadora e João Gilberto já tinha uma espécie de sensibilidade maior por ouvir Jazz e Blues, as maiores influências da Bossa Nova. Ele foi embora magoado, mas levou da cantoria das lavadeiras e seu ritmo descompassado às margens do Rio São Francisco, a inspiração e os elementos necessários para fazer sua revolução e deixou, ainda que timidamente, resquícios de seu dom.
Na década de 1960, em Juazeiro e Petrolina, a Bossa Nova, sobretudo por ter seu precursor nascido na região, influenciou os músicos locais da época e contribuiu para a formação de conjuntos que reproduziam o estilo. “No final dos anos 50, eu já ouvia a Bossa Nova aqui na rádio local”, lembra Mauriçola. Em 1963, Antônio Rodrigues, juntamente com Geraldo Azevedo e Edésio Santos, formaram os Sambossas, um dos primeiros conjuntos criados em homenagem ao novo ritmo. “Fazíamos shows de Bossa Nova, o show opinião, na 21 de setembro e chegamos até a tocar em Recife”, conta seu Antônio.
Atualmente, a cidade que reprimiu a genialidade de João Gilberto continua distante da harmonia da Bossa Nova. Segundo Sandro Costa, locutor da Rádio Transamérica, não há um espaço na programação destinado exclusivamente ao gênero. E a maioria da população fiel às FMs não parece sentir muita falta. “Não há como quantificar o número de pedidos de ouvinte em relação à Bossa Nova, porque eles são quase inexistentes”, explica Sandro. E nas outras emissoras não é diferente. “O povo gosta é de arrocha, Tayrone Cigano. E agora tem o creu. Creu! O povo não tem gosto”, diz indignado seu Antônio.
Outra questão que tem tirado o sono de quem ainda tenta manter viva a Bossa Nova em Juazeiro, é o fato de a cidade não ter entrado oficialmente no circuito de comemorações dos 50 anos do movimento. “O Rio de Janeiro decretou o ano internacional da Bossa Nova. São Paulo também. Em Nova Iorque muitos concertos acontecerão durante este ano. E na cidade onde nasceu o criador da Bossa Nova não vai acontecer nada!”, lamenta Mauriçola. O cantor diz esperançoso que tenta, em parceria com algumas empresas, realizar ainda este ano um grande show: “João Gilberto disse que vem, trazendo Bebel Gilberto, a filha dele, João Bosco e Caetano Veloso. Viriam fazer um show aqui e lá em Salvador”. E insiste que longe das comemorações Juazeiro não vai ficar. “Até mesmo o teatro João Gilberto não possui nada de João Gilberto. Não tem um acervo, não tem nada dele ali. Só o prédio”, indigna-se Mauriçola.
O jeito recatado e discreto de João Gilberto sempre despertou curiosidade e fez nascer ao seu redor inúmeras lendas. O cantor juazeirense Maurício Dias conta que apenas David, um fotógrafo americano, tinha a permissão para fotografá-lo enquanto trabalhava. “Ele não gosta do flash nem do barulhinho do click, diz que o incomoda, que tira a concentração. E só David fazia como ele desejava”.
Enquanto fazia um concerto nos Estados Unidos, João foi convidado a ir ao camarim para tirar foto com Fernando Henrique Cardoso, que na época tinha sido recém eleito presidente do Brasil pela segunda vez. Ele terminou o show e saiu escondido pelos fundos. “João disse que não queria aliar a imagem dele à do presidente. E simplesmente fugiu”, relata Maurício.


Inês Guimarães, Leônidas Vidal, Patricia Telles, Diego Alcântara (não integrante do OCO, mas oco)

Daqui a pouco tem novidades

sábado, 26 de janeiro de 2008

Olá pessoal do OCO, estamos um pouco, mas só um pouco mesmo aterafados na faculdade, mas daqui pra semana que vem, ou antes do fim da semana, ou melhor, antes de fevereiro, tem texto novo na árae ou qualquer coisa oca atualizando o blog, mas para você não ser oco e não ter que assistir Zorra Total da Globo só para ver o comercial do filme que vai passar no Supercine, nós te passamos a sinopse do filme, que pra variar é de suspense.

O marido perfeito: mais outra história de alguém acusado por suposto crime. Tendo sua mulher grávida assassinada, e mesmo ajudando a polícia no caso, Scott é o principal suspeito. O filme dirá se a desconfiança sobre ele procede ou não





Isso não quer dizer que queremos que você assita ao filme da Globo, apenas estamos evitando que você fique oco mesmo assistindo a essa zorra sem 1 graça. Até a próxima.

Outra crônica OCA

terça-feira, 22 de janeiro de 2008


A mesma cidade

Para quem nasce, cresce e continua na cidade em que nasceu tudo é normal, não há novidades, é difícil perceber algo diferente perante ao olhar que já se acostumou com aquela mesma rotina, seja ela monótona ou não, somente algo grandioso ou desastroso para desviar o olhar e, assim, encontrar novas formas pelo caminho que transcorro ao longo do meu “tour” pela cidade.
É desde aquele despertar cedo pela manhã para ir para o trabalho, o sair para ir comprar o pão e passar pelas ruas e ver, mas não observar as pessoas que estão indo para o trabalho de bicicleta, a casa em reforma, a criança brincando enquanto a mãe varre a calçada, o vizinho que você não conhece mais que acena com a cabeça em sinal de bom dia ou na vontade de conseguir conversar algo mais com você, aquele cachorro que late mas não morde, a rotina do trabalho em um ambiente fechado, mas que mesmo com contato com o público fico a ver navios dos acontecimentos da cidade, são alguns dos pontos que me percorrem durante a cidade enquanto eu e ela acordamos.
Petrolina é uma cidade que está em constante crescimento, seja econômico ou populacional, isso eu percebo pelas inúmeras construções em todos os cantos da cidade, em quase toda rua tem uma casa em construção ou em reforma, lojas e mais lojas são abertas pelo centro da cidade em busca de consumidores. Mas nada disso me surpreende ao caminhar pela cidade, as novas casas em construção são iguais as mesmas velhas casas que vejo desde pequeno, as lojas sempre com os mesmos produtos. A cidade não é nada além de pontos turísticos, arquitetônicos ou de referencias que se destacam em minha memória, é sempre a catedral da cidade, a orla, a ponte Presidente Dutra que liga Petrolina à Juazeiro, o River Shopping, empresas de destaque ou locais que servem como ponto de referência, como por exemplo, quando me perguntam onde moro falo que no bairro José e Maria, perto da praça, mas o problema é que todos moram perto da praça, falam sempre a mesma coisa, resumindo o bairro apenas a praça suja e barulhenta que o envolve.
Moro em Petrolina, mas penso que estou só de passagem, assim como a cidade era no século XIX, apenas uma travessia para a vizinha Juazeiro/Ba. Não posso dizer se aqui é ruim ou bom porque nunca sai da cidade e conheço pouco do mundo, não exagerando na abrangência, pois são poucas a cidades que já visitei pra dizer que é para lá que eu vou quando sair de Petrolina, mas nada mais me proporciona um olhar de admiração, espanto ou sensação de novo na cidade, tudo se tornou monótono, acho que já me acostumei com a cidade e se algo de novo passa por mim ou o contrário, não percebo mais, vejo apenas o que foi formulado e rotulado em minha cabeça sobre a cidade ao longo do tempo, onde na pressa dos meus passos não percebo a alma da cidade.


Leônidas Vidal

Carnaval OCO

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008


Avenida lotada. A diversão toma conta da cidade. É hora de esquecer as dívidas (e fazer mais), a prova da semana que vem, o filho que deixou em casa, ou que levou pra rua, mesmo sendo pequenininho, e gritar: Ohoh oh oh oh oh oh oh / Não vale mais chorar por ele / Ele jamais te amou...(jamais te amou)... Quatro dias de folia e três dias sem trabalho. Será uma ótima opção para quem está na cidade?
De fato o carnaval de Juazeiro atrai um grande folião. Este ano ganhou até alguns destaques, por sua violência e pela diversidade de músicas. Músicas ocas. Daquelas com letras pouco arrojadas, cantadas por muitos e coreografadas pela multidão. São crianças, jovens e idosos num só coro: Cadê os cachaceiros, como é que é? Tá tudo dormindo, tá lá no cabaré! Ah! É carnaval... Será que essa história de “experimenta, depois, quando você quiser, é só parar” faz sentido? Devemos nos deixar influenciar dessa forma?
As coisas acontecem de tal modo que, passado um tempo, agimos inconscientemente. Aí vamos consumindo, consumindo, consumindo... Até que chega a hora em que passamos a ser consumidos. E lá se vai o juízo e o senso crítico. Ficamos alienados. Depois de um tempo de consumo, as doses vão aumentando, as do início já não fazem mais efeito. Então, é preciso mais e mais porcaria.
Como diz Luis Fernando Veríssimo, “se você não reagir, vai acabar drogado: alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável e distante; vai perder as referências e definhar mentalmente”. A solução é um tratamento muito duro. “Doses cavalares de Rock, muita MPB, Progressivo e Blues. É possível que tenha que recorrer ao Jazz e até a Mozart e Bach como medida extrema”.


Patricia Telles

Crônicas OCAS


Uma cidade e o rio

Quando se tem quatro anos, é difícil compreender a atmosfera da cidade que se apresenta como sua nova morada. São apenas pensamentos e divagações que ajudam a fazer perceber e reconhecer o ambiente ao redor. Um conjunto de sensações aparentemente desconexas, mas que permanecem na essência por toda a vida.
Eu tinha exatos quatro anos quando cheguei a Juazeiro. Vinha de Salvador, uma viagem que a mim pareceu longa demais, trazendo comigo, além de minhas bonecas e meu travesseirinho de estimação, a lembrança da imensidão do mar soteropolitano. Aqui eu não encontrei aquele mar de minhas memórias infantis, mas tive a felicidade de ter como paisagem de minha janela as águas sempre brincalhonas do rio São Francisco. Foi, como diriam os mais afoitos, paixão à primeira vista.
Permanecia horas olhando o rio correr apressado, levando vida aos lugares por onde passava. Ficava imaginando como começava, onde teria um fim. Ele me ensinou a reconhecer o cheiro da chuva, antes mais corriqueira, que vinha sorrateiro e dominava o ambiente e a admirar a cortina de água que se formava quando se encontrava com os pingos da chuva. Em períodos de cheia, eu saía para pescar com o velho e solitário morador da frente. Ele vivia em uma espécie de cabana cercada por plantações de manga e banana e um pequeno curral onde criava cabras. Parávamos em seu paquete a uma boa distância da margem e lá ficávamos em total comunhão com o rio, sem ao menos nos dar conta de que o tempo passava.
A cidade interiorana das histórias que minha avó contava agora era a minha cidade. Havia crianças correndo na rua até tarde da noite, havia galinhas, coelhos e pássaros no quintal de minha casa, além de uma pequena variedade de árvores frutíferas. E foi essa a imagem de Juazeiro que se conservou em mim. Uma cidade quente e acolhedora, que respira sob as águas em liberdade do rio São Francisco.


Inês Guimarães




Coelho OCO

domingo, 20 de janeiro de 2008




Veja rápido que ele se movimenta e cai
(ahhh, estraguei o final, rsrsrsr)




Poema OCO

sábado, 19 de janeiro de 2008

E quando não vem nada na cabeça?
Merda
Merda não preenche vazios...
Apenas seca o bucho
E ajuda a viver
Uma vida infeliz,
insossa e desbotada,
que, esgotada das desgraças,
segue o vazio sem ameaças.
Onde o meu oco fica mais oco?
Ausente desse mundo louco
Sigo a vida tentando encontrar um rumo,
um destino,
algo que satisfaça aos outros e não a mim.
Que vida é essa?
Vela na proa... à deriva.
Embalado por canções
Tristes e ocas.
Liberte-me dessa solidão,
Desconstrua-me!
“Dessufoque-me!”
Preencha o oco que existe em mim.


Ines Guimarães e Leônidas Vidal, numa noite de msn.

As pombas

Veja um video sem graça pá animar o oco

video

O que é OCO?

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

O que seria oco pra cada um de nós?
E pra você caro leitor?

Oco é apenas um lugar inabitado, que não tem miolo, vazio, escavado, fútil?

Que nada, meu irmão! OCO é um lugar de propagação dos melhores pensamentos da humanidade, é no oco, no vácuo de nossa mente que conseguimos desenvolver a realidade do mundo, é de lá que inventamos os inventores.

OCO é local de vida e vida essa postada nesse blog das mais variadas formas e expressões. Abra seu OCO para nossas idéias e preencha o vazio que você possuía antes de visitar esse blog.

Bom passeio pelo OCO!

Ah, Oco também é um município da Espanha na província e comunidade autónoma de Navarra, de área 3,27 km² com população de 76 habitantes (2004) e densidade populacional de 23,24 hab/km².